segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

GUIDON BEN YOASH



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INTRODUÇÃO E CONTEXTO

Yehoshua (Josué), o sucessor de Moshê (Moisés) morreu aos 110 anos. Sem deixar um líder que unificasse o povo, teve início o Período histórico dos Juízes - Tekufat Hashoftim. Os Shoftim eram, em geral, os mais importantes de suas tribos e, tinham, basicamente, três funções:

1. Ensinar a Torá para o povo e, aqui, se inclui, julgá-lo com sabedoria e justiça.
2. Liderar as guerras e libertar o povo das mãos dos inimigos.
3. Rezar pelo povo.

O período dos Shoftim durou cerca de 335 anos e, teve como característica o círculo recorrente de "descidas" e "subidas" espirituais que começava com um período de calmaria. O povo de Israel transgredia as leis da Torá, como consequência, era atacado por um inimigo. Arrependido, se comprometia com as leis da Torá. D-us, então, mandava um líder, o Shofet, que os conduzia à vitória sobre o inimigo. Um novo período de tranquilidade reinava até que um novo ciclo retomasse.

Vale ressaltar que, o convívio maléfico do povo de Israel com os idólatras cananeus que permaneceram na Terra de Israel, influenciou negativamente a conduta do povo. Este fato foi bem enfatizado logo nos primeiros capítulos do livro de Shoftim , o segundo, na ordem dos livros dos Profetas (Neviím), escrito por Shmuel (Samuel), o último Shofet do período.

O povo de Israel teve como principais inimigos:
1. Os cananeus.
2. Os povos do deserto e os zuzim: midianitas, amalequitas, benê-kedem, amonitas e filisteus.

Ao todo, 15 Shoftim lideraram o povo de Israel.

Shofet (Juiz) é a forma singular da palavra Shoftim (Juízes).

O post da semana fala sobre o Shofet Guid'on ben Yoash (Gideão), talvez pouco conhecido, mas que teve grande destaque dentre os Shoftim.

GUID'ON BEN YOASH - IERUBAAL

Da tribo de Menashê, Guid'on nasceu num período crítico para o povo. Israel estava sob domínio dos midianitas por longo sete anos. Como os israelitas não tinham um exército para enfrentar os constantes ataques dos midianitas, eles se protegiam construindo túneis, cavernas e fortificações.

Os midianitas não tinham a intenção de subjugar o povo, mas destruí-lo materialmente. Assim, quando os israelitas semeavam, eles vinham e destruíam tudo o que tinha pela frente: plantação, gado e tendas. A família de Guid'on (como todas as outras) foi afetada por tais incursões. E foi quando estavam escondidos malhando trigo, o anjo de D-us apareceu e incumbiu Guid'on de lutar contra os midianitas.

A princípio Guid'on duvidou da fala do anjo, por várias razões. Sua família era a mais pobre de toda a tribo de Menashê, ele era o caçula dentre os irmãos e pertencia a uma família de idólatras. Mesmo que discordasse das ideias idólatras, Guid'on não se sentia apto para desempenhar função tão distinta.

Depois ter dado um sinal que era um emissário de D-us, o anjo desapareceu. D-us apareceu para Guid'on e lhe ordenou que destruísse o altar de idolatria que pertencia ao próprio pai. Guid'on obedeceu, demonstrando muita coragem, pois teve que enfrentar a ira dos habitantes do local.

Este fato marcou sua primeira batalha e vitória, não sobre um inimigo físico, mas sobre as fraquezas espirituais do povo, começando dentro de sua própria casa. Guid'on construiu um altar para D-us e ofereceu-Lhe sacrifícios. Diante da bravura foi chamado de Ierubaal - "Que Baal (idolatria cananeia) dispute contra ele por ter derrubado seu altar". Em outras palavras, se o Baal é realmente deus, que ele mesmo se vingue de Guid'on.

Guidon pediu sinais para D-us que ele era o escolhido para salvar o povo das mãos dos midianitas. E, assim, assumiu a liderança do povo.


QUALIDADE E NÃO QUANTIDADE

Cerca de 32 mil homens das tribos de Menashê, Asher, Naftali e Zevulun se reuniram em volta de Guid'on formando um grande exército. Mas não era só uma questão de quantidade, o exército precisava de homens de qualidade. D-us queria fazer o milagre com poucos homens. Obedecendo a uma ordem divina Guid'on proclamou que quem estivesse com medo que voltasse à sua casa.

Sobraram 10 mil homens.

D-us mandou que os homens remanescentes descessem ao rio para beber água. Guid'on saberia quem estava apto para a guerra contra os midianitas pela forma como bebiam água. A saber:

Aqueles que se prostravam (para beber água) eram descartados. Por dois motivos: 1. Descuido - já que necessariamente teriam que colocar suas armas de lado para beber água, demonstrando que preferiam a comodidade ao beber água ao fato de estarem alertas para a guerra. Um soldado tem que estar sempre alerta empunhando sua arma. 2. Idolatria - quem se ajoelhava demonstrava que fazia idolatria, pois esta era a maneira de idolatrar os ídolos da época.

Quem então estava apto?

Aqueles que se agachavam e com uma mão seguravam a arma e com a outra, levavam a água até a boca, bebendo-a como um cachorro bebe água. Sobraram 300 homens!



Guid'on e seus 300 homens na tela de Gustave Doré - 1866

ESTRATÉGIA DE GUERRA

O exército de Guid'on foi divididos em 3 grupos de 100 soldados postados pelos lados norte, sul e oeste ao redor do acampamento midianita. Deixaram o lado leste (em direção ao Jordão) "livre". Cada soldado carregava um shofar e um cântaro com um tocha dentro.

Guidon e seu grupo aproximaram-se do acampamento. Com gritos de guerra, tocaram os shofarot com a mão direita e quebraram os cântaros, segurando com a mão esquerda as tochas. Assim fizeram os outros dois pelotões. Os midianitas acordaram assustados e puseram-se a fugir.

Os homens da tribo de Efraim foram convocados a capturar os midianitas que fugiram pela direção oeste. Os príncipes midianitas Orev e Zeev foram mortos.

UMA VITÓRIA PRECISA SER COMPLETA

Existia grande possibilidade dos midianitas se recomporem da derrota e novamente subirem para destruir as plantações do povo de Israel, por isso Guid'on atravessou com seus homens o rio Jordão perseguindo os midianitas até o coração do deserto.

Guid'on enfrentou com sabedoria a resistência da tribo de Efraim, que, por serem da tribo de Yehoshua achavam-se merecedores da honra de comandar a guerra contra Midian (em vez, de um jovem desconhecido da tribo de Menashê).

Na perseguição contra os midianitas, os habitantes de Sukot e Penuel se recusaram a ajudá-los com pão para saciar a fome. Eles não acreditaram que Guid'on pudesse vencer os midianitas dentro do território deles e temeram a represália dos midianitas. Guid'on matou os reis de Midian e os derrotou completamente. Na volta vingou-se de Sukot e Penuel.

O povo de Israel ofereceu pela primeiríssima vez a coroa de rei para Guid'on, que a recusou, alegando que D-us reinará sobre eles. Os israelitas viveram em paz na época de Guid'on por 40 anos.


Espero que tenham gostado.

Até a próxima!!

BIBLIOGRAFIA

Livro de Shoftim
Our people (Jacob Isaacs)
Meam Loez (Shoftim)




















domingo, 22 de dezembro de 2019

HANNA E SEUS SETES FILHOS: CHANUKÁ

BRANDERBURG GATE:

    EM 1939
Resultado de imagem para Brandenburg gate nazism era                                                                                                                                       CHANUKÁ EM 2019                  ;                                                                                      Deutschland Chanukka Leuchter Brandenburger-Torz ARCHIV

Em Chanuká, a conhecida Festa das Luzes, famílias judias de todos os quatro cantos da Terra acendem suas Chanukiot divulgando os milagres que aconteceram na época em que os gregos dominavam a Terra de Israel. O post O domínio grego e a história de Chanuká relata o contexto, a brava luta e a vitória dos Chashmonaim sobre o poderoso exército grego.

Entretanto, mais que uma vitória militar, Chanuká comemora a vitória ante a ameaça de assimilação do povo judeu aos costumes e cultura helenista, impostos pelo Império Grego dominante na Terra de Israel, naquela época. Para os judeus, o risco da "morte" espiritual é bem mais temido que o da "morte" física.

As mulheres tiveram uma posição de destaque nesta luta. No post anterior Yehudit: a heroína de Chanuká, falou-se de como a jovem e bela Yehudit, filha do Sumo Sacerdote Yochanan, conseguiu derrotar o poderoso general Holofernes.

Histórias de heroísmo e Kidush Hashem (Santificação do Nome de D-us) multiplicaram-se em Chanuká! O post da semana traz outra delas, a de Hanna e de seus sete filhos.

Na tentativa de minar a força dos rebeldes, Antiochus Epifanes proibiu aos judeus o cumprimento de algumas mitzvot essenciais à continuidade do Judaísmo: o estudo da Torá, o shabat, o brit milá (circuncisão) e a santificação da lua (Rosh Chodesh). E foi cumprindo estas mitzvot proíbidas, que Hanna e seus sete filhos foram pegos e levados à presença do tirano grego.

O primogênito foi o primeiro a ser inquerido pelo rei: ou se prostrava para o ídolo ou morreria. O jovem respondeu que jamais iria trair o primeiro preceito dos 10 mandamentos: "Eu sou o Senhor teu D-us". A ordem de matá-lo foi dada e, assim, os soldados foram matando um filho após o outro  até chegar ao caçula deles. O pequeno também recusou-se.

Antiochus ainda tentou convencê-lo de outra forma: "E se jogasse o anel do rei no chão?". Apesar de aterrorizado com as cenas dos assassinatos de seus irmãos que presenciara, o menino não se curvou, mantendo-se fiel e firme na crença do D-us único - o D-us de Israel.

Hanna foi trazida diante do perverso Antiochus,. Hanna fortificou a fé da criança e pediu-lhe que quando estivesse com seus outros irmãos, que fossem até Avraham Avinu e dissessem para ele que enquanto ele quase sacrificou um filho (Akedat Yitzchak), ela havia sacrificado sete filhos num único dia". O menino foi assassinado em Kidush Hashem. Todos os presentes não imaginavam serem derrotados por jovens tão determinados.

Depois Hanna subiu no telhado e jogou-se de lá.

Uma voz dos céus foi ouvida: "Em habanim semechá" - "uma jubilosa mãe de filhos".

Imagem relacionadaSobre este assunto, o rabino cabalista Yitzchak Guinsburg disse: "Hanna e seus sete filhos sacrificaram suas vidas na terra para estabelecer e revelar aos olhos do mundo, o vínculo essencial da alma judaica com a vida eterna, sem os limites de tempo e de espaço ... para iluminar a escuridão ao redor do mundo".

Termino o texto com uma frase dos mestres chassídicos que gosto de usar: "Um pouco de luz dissipa muita escuridão". E essa é a vantagem da luz sobre a escuridão.

Hanna e seus sete filhos encontram-se enterrados em Tzfat (foto ao lado). Que a lembrança deles seja abençoada!



Até a próxima!

Chanuká Sameach!


Bibliografia
Talmud, Tratado de Guitin 57b


     

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

YEHUDIT: A HEROÍNA DE CHANUKÁ

Resultado de imagem para Anne frankSobre a repercussão do post anterior que falava sobre o gansgster holandês Riphagen, agradeço os comentários feitos na página e por whatsapp. Sem dúvida impressiona o mau caratismo e a falta de humanidade daquele indivíduo. Para "encerrar" (pelo menos por enquanto) o assunto, compartilho um pensamento de Anne Frank, judia, também vítima do Holocausto, na Holanda, quando tinha apenas 15 anos:

 "O que é feito, não pode ser desfeito, mas podemos prevenir que aconteça novamente".

Sábias palavras para uma jovem que amadureceu a “duras penas”.
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Muito se comenta sobre os milagres ocorridos em Chanuká, a Festa das Luzes (163 A.E.C.). O jarro de azeite encontrado lacrado com quantidade suficiente para apenas 1 dia, ter durado 8 dias, tempo suficiente para que uma nova produção de azeite fosse providenciada. A vitória do pequeno exército dos Chashmonaim sobre o numeroso e fortemente armado exército grego. A reinauguração do Templo - Beit Hamikdash. Realmente grandes feitos e milagres!

O post da semana traz a história importante e, talvez, pouco conhecida, protagonizada por Yehudit, a filha do Sumo Sacerdote Yochanan. Uma bela e graciosa jovem mulher que se levantou e, contradizendo os melhores prognósticos, derrotou o poderoso general Holofernes, comandante dos exércitos de ocupação do déspota Antioco Epifanes, imperador grego.

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Vamos à história!

A cidade de Betúlia, na Judeia, estava sitiada por Holofernes e seu poderoso exército. Os judeus recusavam-se a obedecer as leis restritivas ao cumprimento de sua religião, impostas pela nação dominante. Apesar do poderio militar, Holofernes não conseguia derrotar os rebeldes de Betúlia. Então resolveu mudar de tática: matá-los de fome e sede. Destruiu os poços de água e impediu a entrada de alimentos na cidade.

A resistência da população entrou em colapso com a fome e a sede vigorando na cidade. O risco de morte era iminente. Os judeus pressionavam os líderes da rebelião Uziahu e os anciãos à rendição. Sem muita alternativa, pediram mais cinco dias de prazo, com a confiança que Hashem não os abandonaria naquele momento de aperto.

Foi aqui que surgiu Yehudit. Com um discurso determinado, enfrentou os líderes perguntando-lhes quem eram eles para estipular prazos a D-us. Além do mais, Holofernes era implacável com seus inimigos, com ou sem rendição, morreriam de qualquer jeito.

Yehudit conclamou Uziahu e os anciãos a não perderem a confiança em D-us e que aliado a isso, ela tinha um plano: sair da cidade acompanhada de sua serva para se encontrar com Holofernes. Yehudit lembrou que um milagre parecido já havia acontecido em outra época, com outra heroína judia, Yael, que conseguiu decapitar o poderoso general canaanita, Sissera (Livro dos Juízes).

Yehudit era conhecia por suas boas virtudes e temor a D-us. Desde que o marido Menashe morreu, ela passava longas hora em tefilá (reza) e tzedaká (caridade). Yehudit convenceu os líderes judeus.
Ela sabia o risco que corria com seu plano, mas não perdeu a fé em D-us.

Durante o caminho até o acampamento de Holofernes, Yehudit foi implorando pela misericórdia Divina. Encontrando guardas pelo caminho, pediu para ser levada ao poderoso general. Yehudit justificou-se falando que sabia como Holofernes poderia derrotar de vez a cidade de Betúlia.

A mulher explicou que o D-us dos hebreus está do lado deles quando cumprem os mandamentos da Torá. Tão logo acabasse a comida kasher dos depósitos, eles teriam que se alimentar de comida não kasher. Isto despertaria a fúria de D-us sobre eles, consequentemente, eles ficarão sem proteção Divina.

Holofernes estava encantado com Yehudit pela extraordinária beleza e sabedoria. Enquanto aguardava o ok da jovem para atacar a cidade de Betúlia, ele passava dias e noites se embebedando. Ao final de três dias sem resposta e já impaciente, recebeu Yehudit em sua tenda. Ela o alimentou com queijo salgado e vinho. O tirano caiu em sono profundo e foi decapitado pela mulher.

Yehudit e a serva carregaram a cabeça de Holofernes até a cidade de Betúlia, onde Uziahu aguardava ansiosamente o desfecho do plano da jovem. Uziahu atacou o acampamento inimigo, que sem seu general foi obrigado a fugir.

CHANUKÁ E AS MULHERES

Como, em parte, a vitória dos judeus sob jugo grego deveu-se a participação de uma mulher, Yehudit, as mulheres ganharam alguns deveres e benefícios especiais nesta festa.

1. Acendimento da Chanukiá
Embora as mulheres estejam isentas de cumprir mitzvot que exijam um tempo determinado para cumpri-las, elas são obrigadas da mitzvá do acendimento da chanukiá.
2. Trabalho
Não trabalhar nos primeiros 30 minutos do acendimento da chanukiá.
3. Tefilá
Devem acrescentar na tefilá e no birkat hamazon (bênção posterior à ingestão de pão), o trecho de "Al Hanissim...", referente à Chanuká.

Chanuká Sameach!!!
Até a próxima!!


BIBLIOGRAFIA

Meam Loez - Bamidbar - Maassê Yehudit - págs. 95 - 101.
Talmud - Maassê Yehudit - http://www.acheinu.co.il/?p=1362
http://www.chabad.org.br/datas/chanuca/cha049.html
https://www.chabad.org/holidays/chanukah/article_cdo/aid/103019/jewish/The-Story-of-Yehudit.htm











domingo, 15 de dezembro de 2019

BERNARDUS ANDREIS "DREIS" RIPHAGEN: O AL CAPONE HOLANDÊS



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Cena comum na 2a. Guerra Mundial - judeus sendo deportados.

PERGUNTAS AINDA SEM RESPOSTAS

Antes de escrever sobre Dreis Riphagen, fiz algumas reflexões e nem entro no mérito da questão das injustiças da guerra e da perseguição e morte dos judeus!

É verdade que o que os alemães fizeram aos judeus no Holocausto foi de uma covardia e desumanidade indescritível. Porém o que dizer de um cidadão (se assim pode ser chamado) que, em benefício pessoal, se passa por amigo e fiel depositário das riquezas e bens materiais dos judeus, para depois denunciá-los aos alemães e enriquecer às custas das fragilidades do grupo. Aproveitar-se da situação de vulnerabilidade dos judeus na época é ser tão cúmplice dos crimes nazistas, quanto os que ousaram cometer o crime na prática. Por que não foi punido devidamente como outros criminosos de guerra?

O mais apavorante é constatar que Riphagen não foi o único que agiu em causa própria. Quantos outros "Riphagen" não existiram? Fato é que os judeus eram sim denunciados aos alemães para que seus bens deixados fossem apossados por seus delatores!

É nosso dever fazer com que essa vil história e outras mais se tornem públicas. Talvez os homens consigam aprender, de uma vez por todas, a não repetir os mesmos erros!


INFÂNCIA E JUVENTUDE

Oitavo filho de uma família holandesa, Bernardus Andreis Riphagen nasceu em 7 de setembro de 1909. Aos 6 ficou órfão de mãe. Devido aos problemas de alcoolismo do pai, foi enviado aos 14 anos ao centro de treinamento da Marina Mercante "Pollux". Trabalhou nos Estados Unidos na Standart Oil por dois anos. Lá, conheceu mafiosos e "aprendeu" os métodos de bandidagem empregados posteriormente na Holanda. Foi nesse período que ganhou o apelido "Al Capone".

De volta à Holanda, filiou-se ao partido minoritário NSNAP (Partido Socialista Nacional dos Trabalhadores Holandeses) pró-ocupação alemã e de tendência antissemita. 

Riphagen era um bandido conhecido no submundo do crime holandês. No livro "Riphagen, Al Capone, um dos maiores criminosos de guerra holandês", escrito em 2010, pelos jornalistas, Bart Middelburg e René ter Steege. ele é descrito por seus amigos como um sujeito forte e temido por todos; que quando não gostava de uma pessoa poderia socá-la sem hesitar.

HOLANDA SOB DOMÍNIO ALEMÃO (1940 -1945)

Riphagen aliou-se ao Serviço de Inteligência alemão (SD). Mais tarde, tornou-se membro do Escritório Central de Emigração Judaica, cuja tarefa era rastrear propriedades judaicas negociadas fora dos regulamento da moeda alemã da época. Os que prestavam este tipo de serviço recebiam era comissionados.

Dedicou-se na busca de judeus escondidos das garras nazistas e, como era holandês e tinha boa lábia, conquistava a confiança de seus clientes - os judeus - prometendo-lhes devolver os bens confiados em suas mãos, tão logo a guerra acabasse. Denunciava os judeus aos alemães e amealhava-se de suas riquezas. Riphagen enriqueceu, depositando fortunas nos bancos belgas e suíços.

Para se ter noção de onde chegava sua falta de escrúpulos, Riphagen confiscou uma luxuosa casa pertencente a uma judia holandesa, depois de prometer sua fuga para a Inglaterra. Denunciada, presa e deportada, ele apossou-se da casa e foi morar com sua esposa e filho.

No final da guerra, Riphagen trabalhou para SD, em Assen, norte da Holanda, buscando rebeldes dos grupos de resistência. Desempenhou papel importante no esfacelamento do Centro de Documentação de Identidade, responsável pela falsificação de documentos, um dos braços da organização clandestina de resistência. Nesta função, foi o responsável direto pelo assassinato do fotógrafo judeu Gerhard Jozeph Badrian, assim como outros membros da resistência holandesa.




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                             Placa colocada no local onde Badrian foi alvejado pelos nazistas.

PÓS-GUERRA

Quando a guerra acabou, Dries Riphagen foi procurado por crimes contra a humanidade, porém, como as autoridades holandesas recém empossadas não tinham certeza de sua real identidade, ele aproveitou-se da situação para fazer um acordo com o novo chefe da polícia (e também ex-membro da resistência) Willen Evert Sanders. Em troca de informações importantes sobre a rede de colaboradores holandeses, ele seria mantido em prisão domiciliar, na casa de Sanders.

FUGA

Em 1946, Dries fugiu deixando sua esposa e filho. Dizem que foi contrabandeado num carro funerário até a Bélgica. De lá, passou 3 meses pedalando numa bicicleta até a Espanha, onde foi preso por falta de documentos.

Na Espanha foi libertado mediante pagamento de fiança, feita por um padre jesuíta. Recebeu roupas, sapatos, documentos falsos e diamantes de um comparsa do serviço secreto holandês. Riphagen fugiu para a Argentina, tão logo descoberto pelo governo da Holanda. Por falta de provas, a Argentina jamais o extraditou  para a Holanda.

Eloquente na fala, Dries logo fez amizades no alto escalão do governo argentino, na época presidido por Juan Carlos Peron. Depois da deposição de Peron, Riphagen retornou à Europa, onde morreu de câncer, em Mountreux, na Suiça, em 1973.

                                      

                                                           Riphagen em 1945

LEMBRAR E NUNCA ESQUECER!

Espero que tenham gostado de conhecer a vida do inescrupuloso criminoso de guerra Andreis Riphagen. Até a próxima!






terça-feira, 10 de dezembro de 2019


JOSUÉ FILHO DE NUN - YEHOSHUA BIN NUN - O SUCESSOR DE MOISES (MOSHE)

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Yehoshua apareceu pela primeira vez no livro de Shemot (Êxodo) ao ser convocado por Moshe para comandar a guerra contra o povo de Amalek, em Refidim. O povo judeu ainda estava a caminho da Terra de Israel. Enquanto a liderança espiritual da batalha coube ao próprio Moshe, Yehoshua estrategicamente enfraqueceu o poderio inimigo e, com isso, foi designado por D-us a continuar a missão de Moshe.

Quando Moshe subiu na montanha para receber as primeiras Tábuas da Lei (Luchot HaBrit),  Yehoshua o acompanhou até determinado ponto e lá permaneceu a espera de seu mestre, durante quarenta dias e quarenta noites. Quando Moshe desceu, Yehoshua escutou um barulho de guerra vindo do acampamento. Era o povo comemorando o bezerro de ouro. O final desta história é bem conhecido.

OS DOZE ESPIÕES

Yehoshua pertencia à tribo de Efraim e desde jovem, serviu diligentemente a Moshe, zelou por seu kavod e não se afastou da tenda de estudos, bebendo com avidez dos conhecimentos ensinados pelo líder. O Midrash traz que Yehoshua arrumava os bancos do Beit Midrash (Casa de Estudos) para Moshe ensinar Torá ao povo, numa demonstração da parceria existente entre os dois. Yehoshua é chamado em algumas partes da Torá, e do próprio livro de Yehoshua, de "mesharet Moshe" - servo de Moshe - dedicado exclusivamente ao seu dono e mestre.

Quando convocado como um dos 12 espiões encarregados de espionar a Terra de Israel, antes de sua conquista, recebeu uma proteção adicional de Moshe, a letra Iud no nome (Bamidbar 13:16): "E chamou de Hoshéa, filho de Nun, Yehoshua".  Os sábios explicam que Moshe rezou por ele: "Que D-us  (Iud e Hê - as letras que formam o nome de D-us) o salve do conselho dos espiões". Era um presságio para o que viria acontecer quando os espiões, a exceção de Yehoshua e Kalev ben Iefunê, voltaram falando mal da terra, deixando o povo desesperado e choroso.

O povo judeu passou 40 anos perambulando pelo deserto, até que aquela geração (de vinte anos em diante) morresse. Os levitas, Yehoshua e Kalev ben Iefunê, não foram punidos.


A SUCESSÃO

Yehoshua teve a oportunidade de crescer espiritualmente e se preparar para conduzir o povo com o líder dos líderes, Moshe Rabênu. Além de todas as qualidades para exercer uma boa liderança, ele era capaz de lidar com as diferenças de caráter de cada um - "Ish asher ruah bô" (Bamidbar 27:18). Além disso, também era estrategista militar e profeta.

Na tradição da Cabala, Yehoshua veio imediatamente depois de Moshe: "Moshe recebeu a Torá do Sinai e a transmitiu a Yehoshua ..." (Avot 1:1).

Era natural que fosse apontado por D-us como o sucessor de Moshe. Seguindo as instruções de D-us, Moshe, na frente de Elazar, o sumo sacerdote e do Sanhedrin (do Tribunal Rabínico) apoiou as mãos sobre a cabeça de Yehoshua e o instruiu. Moshe morreu aos 120 anos.

Não foi fácil para Yehoshua substituir Moshe. Inúmeras vezes escutou a expressão de fortalecimento "Chazak veematz" - seja forte e corajoso, de Hashem, dos líderes das tribos e de Moshe. Inclusive numa das vezes, Hashem lhe diz para ser muito forte e corajoso, pois um líder do povo de Israel precisa de muita força e coragem para fazer valer as palavras da Torá! Ainda mais sabendo que as vitórias "materiais" na conquista da Terra de Israel, dependia do sucesso no cumprimento restrito das leis da Torá.

MAIS SEMELHANÇAS DO QUE DIFERENÇAS

A Guemará, no tratado Bava Batra compara Moshe com o sol e Yehoshua com a lua. Assim como a lua reflete a luz solar, de noite, quando o sol está impossibilitado de iluminar, assim será caracterizado o trabalho de Yehoshua: continuar a liderança e o legado de Moshe.

Destacamos algumas:

1. Moshe abriu o mar Vermelho - Yehoshua abriu o rio Jordão.
2. Quando morreram, ambos foram chamados de "eved Hashem" - servos de D-us e receberam o status de Rei.
3. Moshe e Yehoshua se casaram com convertidas: Moshe com Tzipora e Yehoshua com Rachav.
4. Moshe deu a Torá para o povo de Israel. Yehoshua deu a Terra Santa para o povo de Israel.
5. D-us prometeu que estaria com Yehoshua, da mesma forma como esteve com Moshe.
6. O anjo apareceu para Yehoshua em Jericó e pediu-lhe para tirar seus sapatos, em respeito à Terra Sagrada, assim como aconteceu com Moshe no episódio da Sarça Ardente.
7. Yehoshua mandou espiões - Moshe mandou espiões.


CONQUISTA E DIVISÃO DA TERRA

Tão logo se passaram 30 dias de luto pela morte de Moshe, chegou a hora de agir e realizar os objetivos aos quais foi designado e assim foi. Durante sete anos esteve ocupado em batalhas e conquistas e levou mais sete anos dividindo a terra entre as 12 tribos.

MILAGRES DA ERA YEHOSHUA

1. A abertura do rio Jordão.
2. A queda das muralhas de Ierichó.

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3. Yehoshua ordenou ao sol a ficar parado sobre Guiv'on e a lua, sobre Ayalon.


Pintura de John Martin (1816)

MORTE

Antes de morrer, Yehoshua reuniu todas as tribos em Shechem, fez um resumo da história e das bondades feitas por Hashem, aconselhou o povo a manter-se afastado da idolatria e servir Hashem com devoção.

Yehoshua morreu aos 110 anos e foi enterrado no Monte Efraim. Sem deixar um sucessor capaz de manter o povo sob uma liderança unificada, deu início ao período histórico dos Shofetim - os Juízes.






BIBLIOGRAFIA

ÊXODO, LEVÍTICO E NÚMEROS.
Journey through Nach  - vol. 1 - Rabbi Daniel Fine e Chaim Golker
Site chabad.org.br - Yehoshua


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

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Caros leitores,

Depois de um longo período na geladeira, o blog "História Judaica em Foco", volta com força total. Um ano se passou, desde o último post sobre Chanuká (4 de dezembro de 2018). Não pensem que não fiquei com vontade de escrever novos posts. Fato é que, nem sempre as atribulações do dia-a-dia permitem que coloquemos em prática nossos sonhos.

Mas isso nem longe deve ser uma desculpa, afinal, temos uma única vida e um período de 120 anos para sermos significativos.

Ouvi uma história sobre o famoso general estrategista israelense Moshe Dayan (1915-1981), que, certa vez foi parado pela polícia rodoviária israelense, ao trafegar em alta velocidade na estrada de acesso a Jerusalém. O policial surpreendeu-se ao constatar que o motorista não era ninguém menos que o conhecido Moshe Dayan!

Como é sabido, em Israel, as leis realmente funcionam e são iguais para todos. O policial falou: Não me resta outra opção, se não a de aplicar uma multa pelo excesso de velocidade! - Não satisfeito continuou - como pode o sr., um líder nacional, transgredir a lei desta maneira?

Moshe Dayan respondeu: Como você pode constatar, tenho só um olho. O que esperava? Que eu olhasse para a estrada ou para o velocímetro?

Não podemos perder o foco no objetivo! Tirar o olho do destino - de onde queremos chegar. E esta motivação e os inúmeros pedidos dos leitores do blog estão me fazendo reativá-lo.

Que este reinício seja em elevação da alma de Ora Zilbershatz, AH"S, que partiu deste mundo, na data de hoje, dia 7 de Kislev. Que sua lembrança seja abençoada!

Até a próxima!
Miriam Benzecry