terça-feira, 17 de dezembro de 2019

YEHUDIT: A HEROÍNA DE CHANUKÁ

Resultado de imagem para Anne frankSobre a repercussão do post anterior que falava sobre o gansgster holandês Riphagen, agradeço os comentários feitos na página e por whatsapp. Sem dúvida impressiona o mau caratismo e a falta de humanidade daquele indivíduo. Para "encerrar" (pelo menos por enquanto) o assunto, compartilho um pensamento de Anne Frank, judia, também vítima do Holocausto, na Holanda, quando tinha apenas 15 anos:

 "O que é feito, não pode ser desfeito, mas podemos prevenir que aconteça novamente".

Sábias palavras para uma jovem que amadureceu a “duras penas”.
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Muito se comenta sobre os milagres ocorridos em Chanuká, a Festa das Luzes (163 A.E.C.). O jarro de azeite encontrado lacrado com quantidade suficiente para apenas 1 dia, ter durado 8 dias, tempo suficiente para que uma nova produção de azeite fosse providenciada. A vitória do pequeno exército dos Chashmonaim sobre o numeroso e fortemente armado exército grego. A reinauguração do Templo - Beit Hamikdash. Realmente grandes feitos e milagres!

O post da semana traz a história importante e, talvez, pouco conhecida, protagonizada por Yehudit, a filha do Sumo Sacerdote Yochanan. Uma bela e graciosa jovem mulher que se levantou e, contradizendo os melhores prognósticos, derrotou o poderoso general Holofernes, comandante dos exércitos de ocupação do déspota Antioco Epifanes, imperador grego.

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Vamos à história!

A cidade de Betúlia, na Judeia, estava sitiada por Holofernes e seu poderoso exército. Os judeus recusavam-se a obedecer as leis restritivas ao cumprimento de sua religião, impostas pela nação dominante. Apesar do poderio militar, Holofernes não conseguia derrotar os rebeldes de Betúlia. Então resolveu mudar de tática: matá-los de fome e sede. Destruiu os poços de água e impediu a entrada de alimentos na cidade.

A resistência da população entrou em colapso com a fome e a sede vigorando na cidade. O risco de morte era iminente. Os judeus pressionavam os líderes da rebelião Uziahu e os anciãos à rendição. Sem muita alternativa, pediram mais cinco dias de prazo, com a confiança que Hashem não os abandonaria naquele momento de aperto.

Foi aqui que surgiu Yehudit. Com um discurso determinado, enfrentou os líderes perguntando-lhes quem eram eles para estipular prazos a D-us. Além do mais, Holofernes era implacável com seus inimigos, com ou sem rendição, morreriam de qualquer jeito.

Yehudit conclamou Uziahu e os anciãos a não perderem a confiança em D-us e que aliado a isso, ela tinha um plano: sair da cidade acompanhada de sua serva para se encontrar com Holofernes. Yehudit lembrou que um milagre parecido já havia acontecido em outra época, com outra heroína judia, Yael, que conseguiu decapitar o poderoso general canaanita, Sissera (Livro dos Juízes).

Yehudit era conhecia por suas boas virtudes e temor a D-us. Desde que o marido Menashe morreu, ela passava longas hora em tefilá (reza) e tzedaká (caridade). Yehudit convenceu os líderes judeus.
Ela sabia o risco que corria com seu plano, mas não perdeu a fé em D-us.

Durante o caminho até o acampamento de Holofernes, Yehudit foi implorando pela misericórdia Divina. Encontrando guardas pelo caminho, pediu para ser levada ao poderoso general. Yehudit justificou-se falando que sabia como Holofernes poderia derrotar de vez a cidade de Betúlia.

A mulher explicou que o D-us dos hebreus está do lado deles quando cumprem os mandamentos da Torá. Tão logo acabasse a comida kasher dos depósitos, eles teriam que se alimentar de comida não kasher. Isto despertaria a fúria de D-us sobre eles, consequentemente, eles ficarão sem proteção Divina.

Holofernes estava encantado com Yehudit pela extraordinária beleza e sabedoria. Enquanto aguardava o ok da jovem para atacar a cidade de Betúlia, ele passava dias e noites se embebedando. Ao final de três dias sem resposta e já impaciente, recebeu Yehudit em sua tenda. Ela o alimentou com queijo salgado e vinho. O tirano caiu em sono profundo e foi decapitado pela mulher.

Yehudit e a serva carregaram a cabeça de Holofernes até a cidade de Betúlia, onde Uziahu aguardava ansiosamente o desfecho do plano da jovem. Uziahu atacou o acampamento inimigo, que sem seu general foi obrigado a fugir.

CHANUKÁ E AS MULHERES

Como, em parte, a vitória dos judeus sob jugo grego deveu-se a participação de uma mulher, Yehudit, as mulheres ganharam alguns deveres e benefícios especiais nesta festa.

1. Acendimento da Chanukiá
Embora as mulheres estejam isentas de cumprir mitzvot que exijam um tempo determinado para cumpri-las, elas são obrigadas da mitzvá do acendimento da chanukiá.
2. Trabalho
Não trabalhar nos primeiros 30 minutos do acendimento da chanukiá.
3. Tefilá
Devem acrescentar na tefilá e no birkat hamazon (bênção posterior à ingestão de pão), o trecho de "Al Hanissim...", referente à Chanuká.

Chanuká Sameach!!!
Até a próxima!!


BIBLIOGRAFIA

Meam Loez - Bamidbar - Maassê Yehudit - págs. 95 - 101.
Talmud - Maassê Yehudit - http://www.acheinu.co.il/?p=1362
http://www.chabad.org.br/datas/chanuca/cha049.html
https://www.chabad.org/holidays/chanukah/article_cdo/aid/103019/jewish/The-Story-of-Yehudit.htm











domingo, 15 de dezembro de 2019

BERNARDUS ANDREIS "DREIS" RIPHAGEN: O AL CAPONE HOLANDÊS



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Cena comum na 2a. Guerra Mundial - judeus sendo deportados.

PERGUNTAS AINDA SEM RESPOSTAS

Antes de escrever sobre Dreis Riphagen, fiz algumas reflexões e nem entro no mérito da questão das injustiças da guerra e da perseguição e morte dos judeus!

É verdade que o que os alemães fizeram aos judeus no Holocausto foi de uma covardia e desumanidade indescritível. Porém o que dizer de um cidadão (se assim pode ser chamado) que, em benefício pessoal, se passa por amigo e fiel depositário das riquezas e bens materiais dos judeus, para depois denunciá-los aos alemães e enriquecer às custas das fragilidades do grupo. Aproveitar-se da situação de vulnerabilidade dos judeus na época é ser tão cúmplice dos crimes nazistas, quanto os que ousaram cometer o crime na prática. Por que não foi punido devidamente como outros criminosos de guerra?

O mais apavorante é constatar que Riphagen não foi o único que agiu em causa própria. Quantos outros "Riphagen" não existiram? Fato é que os judeus eram sim denunciados aos alemães para que seus bens deixados fossem apossados por seus delatores!

É nosso dever fazer com que essa vil história e outras mais se tornem públicas. Talvez os homens consigam aprender, de uma vez por todas, a não repetir os mesmos erros!


INFÂNCIA E JUVENTUDE

Oitavo filho de uma família holandesa, Bernardus Andreis Riphagen nasceu em 7 de setembro de 1909. Aos 6 ficou órfão de mãe. Devido aos problemas de alcoolismo do pai, foi enviado aos 14 anos ao centro de treinamento da Marina Mercante "Pollux". Trabalhou nos Estados Unidos na Standart Oil por dois anos. Lá, conheceu mafiosos e "aprendeu" os métodos de bandidagem empregados posteriormente na Holanda. Foi nesse período que ganhou o apelido "Al Capone".

De volta à Holanda, filiou-se ao partido minoritário NSNAP (Partido Socialista Nacional dos Trabalhadores Holandeses) pró-ocupação alemã e de tendência antissemita. 

Riphagen era um bandido conhecido no submundo do crime holandês. No livro "Riphagen, Al Capone, um dos maiores criminosos de guerra holandês", escrito em 2010, pelos jornalistas, Bart Middelburg e René ter Steege. ele é descrito por seus amigos como um sujeito forte e temido por todos; que quando não gostava de uma pessoa poderia socá-la sem hesitar.

HOLANDA SOB DOMÍNIO ALEMÃO (1940 -1945)

Riphagen aliou-se ao Serviço de Inteligência alemão (SD). Mais tarde, tornou-se membro do Escritório Central de Emigração Judaica, cuja tarefa era rastrear propriedades judaicas negociadas fora dos regulamento da moeda alemã da época. Os que prestavam este tipo de serviço recebiam era comissionados.

Dedicou-se na busca de judeus escondidos das garras nazistas e, como era holandês e tinha boa lábia, conquistava a confiança de seus clientes - os judeus - prometendo-lhes devolver os bens confiados em suas mãos, tão logo a guerra acabasse. Denunciava os judeus aos alemães e amealhava-se de suas riquezas. Riphagen enriqueceu, depositando fortunas nos bancos belgas e suíços.

Para se ter noção de onde chegava sua falta de escrúpulos, Riphagen confiscou uma luxuosa casa pertencente a uma judia holandesa, depois de prometer sua fuga para a Inglaterra. Denunciada, presa e deportada, ele apossou-se da casa e foi morar com sua esposa e filho.

No final da guerra, Riphagen trabalhou para SD, em Assen, norte da Holanda, buscando rebeldes dos grupos de resistência. Desempenhou papel importante no esfacelamento do Centro de Documentação de Identidade, responsável pela falsificação de documentos, um dos braços da organização clandestina de resistência. Nesta função, foi o responsável direto pelo assassinato do fotógrafo judeu Gerhard Jozeph Badrian, assim como outros membros da resistência holandesa.




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                             Placa colocada no local onde Badrian foi alvejado pelos nazistas.

PÓS-GUERRA

Quando a guerra acabou, Dries Riphagen foi procurado por crimes contra a humanidade, porém, como as autoridades holandesas recém empossadas não tinham certeza de sua real identidade, ele aproveitou-se da situação para fazer um acordo com o novo chefe da polícia (e também ex-membro da resistência) Willen Evert Sanders. Em troca de informações importantes sobre a rede de colaboradores holandeses, ele seria mantido em prisão domiciliar, na casa de Sanders.

FUGA

Em 1946, Dries fugiu deixando sua esposa e filho. Dizem que foi contrabandeado num carro funerário até a Bélgica. De lá, passou 3 meses pedalando numa bicicleta até a Espanha, onde foi preso por falta de documentos.

Na Espanha foi libertado mediante pagamento de fiança, feita por um padre jesuíta. Recebeu roupas, sapatos, documentos falsos e diamantes de um comparsa do serviço secreto holandês. Riphagen fugiu para a Argentina, tão logo descoberto pelo governo da Holanda. Por falta de provas, a Argentina jamais o extraditou  para a Holanda.

Eloquente na fala, Dries logo fez amizades no alto escalão do governo argentino, na época presidido por Juan Carlos Peron. Depois da deposição de Peron, Riphagen retornou à Europa, onde morreu de câncer, em Mountreux, na Suiça, em 1973.

                                      

                                                           Riphagen em 1945

LEMBRAR E NUNCA ESQUECER!

Espero que tenham gostado de conhecer a vida do inescrupuloso criminoso de guerra Andreis Riphagen. Até a próxima!






terça-feira, 10 de dezembro de 2019


JOSUÉ FILHO DE NUN - YEHOSHUA BIN NUN - O SUCESSOR DE MOISES (MOSHE)

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Yehoshua apareceu pela primeira vez no livro de Shemot (Êxodo) ao ser convocado por Moshe para comandar a guerra contra o povo de Amalek, em Refidim. O povo judeu ainda estava a caminho da Terra de Israel. Enquanto a liderança espiritual da batalha coube ao próprio Moshe, Yehoshua estrategicamente enfraqueceu o poderio inimigo e, com isso, foi designado por D-us a continuar a missão de Moshe.

Quando Moshe subiu na montanha para receber as primeiras Tábuas da Lei (Luchot HaBrit),  Yehoshua o acompanhou até determinado ponto e lá permaneceu a espera de seu mestre, durante quarenta dias e quarenta noites. Quando Moshe desceu, Yehoshua escutou um barulho de guerra vindo do acampamento. Era o povo comemorando o bezerro de ouro. O final desta história é bem conhecido.

OS DOZE ESPIÕES

Yehoshua pertencia à tribo de Efraim e desde jovem, serviu diligentemente a Moshe, zelou por seu kavod e não se afastou da tenda de estudos, bebendo com avidez dos conhecimentos ensinados pelo líder. O Midrash traz que Yehoshua arrumava os bancos do Beit Midrash (Casa de Estudos) para Moshe ensinar Torá ao povo, numa demonstração da parceria existente entre os dois. Yehoshua é chamado em algumas partes da Torá, e do próprio livro de Yehoshua, de "mesharet Moshe" - servo de Moshe - dedicado exclusivamente ao seu dono e mestre.

Quando convocado como um dos 12 espiões encarregados de espionar a Terra de Israel, antes de sua conquista, recebeu uma proteção adicional de Moshe, a letra Iud no nome (Bamidbar 13:16): "E chamou de Hoshéa, filho de Nun, Yehoshua".  Os sábios explicam que Moshe rezou por ele: "Que D-us  (Iud e Hê - as letras que formam o nome de D-us) o salve do conselho dos espiões". Era um presságio para o que viria acontecer quando os espiões, a exceção de Yehoshua e Kalev ben Iefunê, voltaram falando mal da terra, deixando o povo desesperado e choroso.

O povo judeu passou 40 anos perambulando pelo deserto, até que aquela geração (de vinte anos em diante) morresse. Os levitas, Yehoshua e Kalev ben Iefunê, não foram punidos.


A SUCESSÃO

Yehoshua teve a oportunidade de crescer espiritualmente e se preparar para conduzir o povo com o líder dos líderes, Moshe Rabênu. Além de todas as qualidades para exercer uma boa liderança, ele era capaz de lidar com as diferenças de caráter de cada um - "Ish asher ruah bô" (Bamidbar 27:18). Além disso, também era estrategista militar e profeta.

Na tradição da Cabala, Yehoshua veio imediatamente depois de Moshe: "Moshe recebeu a Torá do Sinai e a transmitiu a Yehoshua ..." (Avot 1:1).

Era natural que fosse apontado por D-us como o sucessor de Moshe. Seguindo as instruções de D-us, Moshe, na frente de Elazar, o sumo sacerdote e do Sanhedrin (do Tribunal Rabínico) apoiou as mãos sobre a cabeça de Yehoshua e o instruiu. Moshe morreu aos 120 anos.

Não foi fácil para Yehoshua substituir Moshe. Inúmeras vezes escutou a expressão de fortalecimento "Chazak veematz" - seja forte e corajoso, de Hashem, dos líderes das tribos e de Moshe. Inclusive numa das vezes, Hashem lhe diz para ser muito forte e corajoso, pois um líder do povo de Israel precisa de muita força e coragem para fazer valer as palavras da Torá! Ainda mais sabendo que as vitórias "materiais" na conquista da Terra de Israel, dependia do sucesso no cumprimento restrito das leis da Torá.

MAIS SEMELHANÇAS DO QUE DIFERENÇAS

A Guemará, no tratado Bava Batra compara Moshe com o sol e Yehoshua com a lua. Assim como a lua reflete a luz solar, de noite, quando o sol está impossibilitado de iluminar, assim será caracterizado o trabalho de Yehoshua: continuar a liderança e o legado de Moshe.

Destacamos algumas:

1. Moshe abriu o mar Vermelho - Yehoshua abriu o rio Jordão.
2. Quando morreram, ambos foram chamados de "eved Hashem" - servos de D-us e receberam o status de Rei.
3. Moshe e Yehoshua se casaram com convertidas: Moshe com Tzipora e Yehoshua com Rachav.
4. Moshe deu a Torá para o povo de Israel. Yehoshua deu a Terra Santa para o povo de Israel.
5. D-us prometeu que estaria com Yehoshua, da mesma forma como esteve com Moshe.
6. O anjo apareceu para Yehoshua em Jericó e pediu-lhe para tirar seus sapatos, em respeito à Terra Sagrada, assim como aconteceu com Moshe no episódio da Sarça Ardente.
7. Yehoshua mandou espiões - Moshe mandou espiões.


CONQUISTA E DIVISÃO DA TERRA

Tão logo se passaram 30 dias de luto pela morte de Moshe, chegou a hora de agir e realizar os objetivos aos quais foi designado e assim foi. Durante sete anos esteve ocupado em batalhas e conquistas e levou mais sete anos dividindo a terra entre as 12 tribos.

MILAGRES DA ERA YEHOSHUA

1. A abertura do rio Jordão.
2. A queda das muralhas de Ierichó.

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3. Yehoshua ordenou ao sol a ficar parado sobre Guiv'on e a lua, sobre Ayalon.


Pintura de John Martin (1816)

MORTE

Antes de morrer, Yehoshua reuniu todas as tribos em Shechem, fez um resumo da história e das bondades feitas por Hashem, aconselhou o povo a manter-se afastado da idolatria e servir Hashem com devoção.

Yehoshua morreu aos 110 anos e foi enterrado no Monte Efraim. Sem deixar um sucessor capaz de manter o povo sob uma liderança unificada, deu início ao período histórico dos Shofetim - os Juízes.






BIBLIOGRAFIA

ÊXODO, LEVÍTICO E NÚMEROS.
Journey through Nach  - vol. 1 - Rabbi Daniel Fine e Chaim Golker
Site chabad.org.br - Yehoshua


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

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Caros leitores,

Depois de um longo período na geladeira, o blog "História Judaica em Foco", volta com força total. Um ano se passou, desde o último post sobre Chanuká (4 de dezembro de 2018). Não pensem que não fiquei com vontade de escrever novos posts. Fato é que, nem sempre as atribulações do dia-a-dia permitem que coloquemos em prática nossos sonhos.

Mas isso nem longe deve ser uma desculpa, afinal, temos uma única vida e um período de 120 anos para sermos significativos.

Ouvi uma história sobre o famoso general estrategista israelense Moshe Dayan (1915-1981), que, certa vez foi parado pela polícia rodoviária israelense, ao trafegar em alta velocidade na estrada de acesso a Jerusalém. O policial surpreendeu-se ao constatar que o motorista não era ninguém menos que o conhecido Moshe Dayan!

Como é sabido, em Israel, as leis realmente funcionam e são iguais para todos. O policial falou: Não me resta outra opção, se não a de aplicar uma multa pelo excesso de velocidade! - Não satisfeito continuou - como pode o sr., um líder nacional, transgredir a lei desta maneira?

Moshe Dayan respondeu: Como você pode constatar, tenho só um olho. O que esperava? Que eu olhasse para a estrada ou para o velocímetro?

Não podemos perder o foco no objetivo! Tirar o olho do destino - de onde queremos chegar. E esta motivação e os inúmeros pedidos dos leitores do blog estão me fazendo reativá-lo.

Que este reinício seja em elevação da alma de Ora Zilbershatz, AH"S, que partiu deste mundo, na data de hoje, dia 7 de Kislev. Que sua lembrança seja abençoada!

Até a próxima!
Miriam Benzecry

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O DOMÍNIO GREGO E A HISTÓRIA DE CHANUKÁ

A terra de Israel sempre foi alvo de disputas e cobiça por parte de grandes Impérios e de seus países vizinhos. 

Em Chanuká, festa muito comemorada por todos os judeus com o acendimento, por oito dias consecutivos, da chanukiá (menorá com oito braços), a história não foi diferente.


VISITANDO O PASSADO


Depois da morte do Rei Salomão, em 928 AEC, Israel foi dividida em dois reinos. Ao norte, o Reino de Israel, com dez tribos e, ao sul, o Reino de Judá, com duas tribos (Judá e Benjamim). Enquanto o Reino de Norte era governado por reis que praticavam a idolatria, os reis do Reino do Sul, descendentes da Casa de David, mantiveram-se, salvo em alguns períodos, observantes das leis da Torá (a Bíblia judaica).

O Reino de Israel permaneceu por mais 200 anos, quando, em 722 AEC, foi invadido, conquistado e exilado pelos Assírios, a potência da época. O Reino de Israel desapareceu. Ainda hoje, os vestígios dessas tribos são procurados por historiadores, pesquisadores e rabinos.

Já o Reino de Judá ou Judeia permaneceu por mais 344 anos depois da extinção do Reino de Israel. Foi durante esse período que uma nova potência ascendeu, a Babilônia, e pôs na rota de suas conquistas, a remanescente Judeia, que caiu ante o poderoso inimigo. O Primeiro Templo foi destruído e o povo exilado para a Babilônia. Setenta anos depois, foi-lhes permitido retornar para a sua terra, com a autorização dos atuais governantes da Judeia e nova potência da época, os persas. O Segundo Templo foi construído nesse período.


ASCENSÃO DO HELENISMO

Em 338 AEC, uma nova liderança surgiu - a de Alexandre III, da Macedônia (Reino ao norte da Grécia). Conhecido historicamente como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno. Felipe II, pai de Alexandre, uniu forças com os gregos, formando um poderoso exército na intenção de conquistar o Império Persa. Morreu em batalha antes de concretizar o sonho.

Habilidoso nas artes da guerra, Alexandre, que sucedeu o pai, dominou toda a Grécia, à exceção de Esparta e partiu rumo ao ambicioso sonho de conquistas e, com isso, almejou erguer um grande Império. 

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Alexandre conquistou a Judeia em 332 AEC. Ele também derrotou e extinguiu o Império Persa em 330 AEC. Não perdeu uma só guerra. O Império Grego ficou gigante e compreendia desde a Grécia até o Egito passando pelo noroeste da Índia. Junto com as conquistas territoriais, Alexandre também difundiu nos países dominados a cultura helenista, um misto da cultura grega com a cultura do Oriente Médio. O Helenismo era, na essência, uma cultura pagã e laica. 




Mosaico de Alexandre Magno e seu cavalo, exposto no 
Museu Arqueológico Nacional, em Nápoles


Com a morte de Alexandre Magno, o Império Grego dividiu-se entre seus quatro generais:

  • Ptolomeu: Egito
  • Selêuko: Síria e Persa
  • Cassandro: Grécia
  • Lisímaco: Ásia Menor

Para o assunto deste post focaremos em Ptolomeu, que fundou a dinastia Ptolomaica e Selêuko, que fundou a dinastia dos Selêucidas. Cito esses dois nomes, porque como a Judeia era limítrofe entre os dois Impérios, ficou, primeiramente, sob o domínio Ptolomaico (de 312 AEC a 198 AEC), passando depois para o domínio (sírio) dos Selêucidas, a partir de 198 AEC. 

Com a morte de Selêuko IV, seu irmão, Antíoco IV Epifanes (em grego, manifestação divina),  o sucedeu. Há algumas opiniões que chamam o monarca de Epimanes ("o louco"). Antíoco superou seus antecessores no rigor e crueldade.

Antíoco queria unificar as religiões e impor a cultura helenista aos povos dominados. Na Judeia houve forte resistência. Helenismo e Judaísmo não combinavam. 


O DOMÍNIO GRECO-SÍRIO SOB A JUDEIA



O contato dos judeus com a cultura helenista trazida pelo Império Greco-Sírio levou parte dos judeus a se "helenizarem", enquanto que grande parte da população judaica da Judeia manteve-se fiel aos princípios e à maneira judaica de ser.
Pelo contrário, fortaleceram dentro de si o pacto sagrado com a Torá.

Notadamente houve dois conflitos: um, externo, contra a opressão e a influência de uma cultura "estranha", o Helenismo e, outro, interno, entre os judeus já assimilados à cultura helenista e os que se mantiveram nos caminhos da Torá. 

Os judeus assimilados aliaram-se ao Império Greco-Sírio no combate do Judaísmo tradicional. Por outro lado, Antíoco considerou o sentimento judaico de autopreservação e, consequentemente, a rejeição à cultura helenista, como um ato de rebeldia e, por conta disso, tomou medidas drásticas para conter a "rebelião".

Por volta de 175 AEC, o rei outorgou importantes e restritivos decretos contra a manutenção da religião judaica, proibindo sob pena de de morte, o estudo da Torá, o cumprimento do Shabat, o  Brit Milá (circuncisão) e a consagração do novo mês (Rosh Chôdesh). Milhares de judeus foram mortos. O Templo Sagrado foi profanado, transformando-se num local de práticas pagãs. Os azeites puros usados no acendimento diário da Menorá e que eram conservados em "jarrinhos" com o lacre do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) foram maculados. 

O povo judeu sentindo o grande perigo que o assombrava não viu outra saída, a não ser declarar guerra contra o inimigo.


OS MACABEUS - HAMAKABIM


Um pequeno grupo, encabeçado pela família Chashmonaí (Hashmoneus), de Matatias e seus cinco filhos , todos Cohanim - Sacerdotes, empreenderam a missão de guerrear contra a dominação greco-síria de sobre a Terra de Israel. Mesmo tendo sido envolvido por grande risco de vida, os corajosos judeus, determinados pela fé em D-us, lutaram contra o experiente exército selêucida e milagrosamente os venceram. 

Conforme está escrito na tefilá recitada em Chanuká:

"... entregastes os fortes nas mãos dos fracos, os numerosos às minorias, os impuros aos puros, os maus aos justos, os mal-intencionados aos que cumprem a Tua Torá...".

O grupo ficou conhecido como MaKaBIm pelas iniciais do versículo: Mi Kamocha Baelim Hashem" - "Quem é como Hashem entre os deuses?" (Shemot 15:11).

Na data judaica de 25 de Kislev, os Macabeus restabeleceram a posse do Templo Sagrado, limpando-o das impurezas deixadas pelos invasores. Quiseram acender a Menorá. Encontraram um único jarro, intacto, apto para ser usado no acendimento da Menorá, contendo azeite suficiente para um dia. Deu-se outro milagre! O azeite durou por oito dias, tempo suficiente para a fabricação de novo azeite.



CHANUKÁ


A festa de Chanuká foi incorporada ao calendário judaico, levou esse nome por pelo menos dois motivos:

1. Chanuká significa inauguração. Este nome está relacionado à dedicação do Templo Sagrado, conforme já foi falado acima.
2. Desmembrando a palavra Chanuká obtemos Chanu (descansaram) em Ká (letras Kaf e Hê), que somam 25. Os Macabeus descansaram em 25 (de Kislev). 




PALAVRAS FINAIS


A história de Chanuká está cheia de idas e vindas. Milagres e sobrevivência. Uma das grandes lições que podemos retirar desta linda festa é que "Ên davar haomed bifnê haratzon" - "Nada persiste diante da vontade~. Com muita determinação podemos vencer e transpor todas as dificuldades e barreiras que nos impedem de alcançar nossos objetivos de vida.


FONTES:

Morashá Syllabus
Chabad.org
Eliahu KITOV, Sêfer HaTodaá, Israel.








sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A INDIFERENÇA: A CONFERÊNCIA DE ÉVIAN

Pogroms, perseguições, queima de livros, ataques ao patrimônio particular e a entidades comunitárias, privação dos direitos e cidadania, desemprego... a situação dos judeus na Alemanha e países fronteiriços era muito delicada. As políticas antijudaicas impostas por Adolf Hitler caminhavam a pleno vapor. 

Estamos em 1938. Nuvens cinzentas assombram a população judaica. 

Diante da situação caótica vivida pelos judeus na Alemanha nazista e na intenção de resolver a situação dos refugiados judeus daquela área, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) tomou a dianteira e convocou uma reunião com representantes de diversos países do mundo. Roosevelt objetivava discutir a questão judaica e, como resultado, esperava que os países absorvessem a massa crescente de refugiados judeus da zona de guerra. 

Ao saber da conferência, Hitler exclamou:


"Eu só posso esperar que o outro mundo, que tem profunda simpatia por esses criminosos (em referência aos judeus), tenha pelo menos a generosidade de converter essa simpatia em ajuda prática. Nós, da nossa parte, estamos prontos para botar esses criminosos para fora daqui, e à disposição desses países, por mim, até em navios de luxo"(Landau, 2006, The Nazi Holocaust).


A conferência aconteceu entre os dias 6 e 15 de julho, na bucólica Évian-les-Bains, na França, no luxuoso Hotel Royal (foto abaixo) e contou com a participação de  trinta e dois países, dentre eles, o Brasil. A Argentina participou como país observador, a Itália, de Benedito Mussolini (1883 - 1945), recusou-se a participar, a União Soviética não enviou representação. Países da Europa Oriental, de maior população judaica, restringiram-se a mandar observadores. 


The Hotel Royal, site of the Evian Conference on Jewish refugees from Nazi Germany. [LCID: 62121]

Vinte e quatro organizações de trabalho voluntário tiveram autorização para participar da conferência como observadoras. Qualquer proposta vinda das mesmas teria de ser apresentada de forma oral ou escrita. Entidades judaicas também puderam participar. A conferência ganhou destaque na mídia internacional com a presença de centenas de jornalistas.

Centenas de milhares de judeus já haviam sido retirados da Alemanha e Áustria. Évian prometia. Mais que tudo, os judeus, que vivam na zona de risco, estavam cheios de esperança. 

Quem sabe, finalmente, resolveriam suas atribulações e escapariam das garras opressoras do Nazismo?

Realmente houve solidariedade nos discursos proferidos pelos representantes das nações. Muitos concordaram que a situação dos refugiados judeus precisava ser resolvida,  porém, a prática não acompanhou a teoria.                                                                                                      
                                                                                                                                     
Receber os refugiados em seus países? Essa era outra história! 

A Austrália argumentou não ter interesse em importar um problema racial real, já que não tinha nenhum. A Argentina alegou ser um país agrário e, por isso, não tinha espaço para imigrantes nos setores urbano e industrial.  Quatro dias depois, proibiu receber pessoas expulsas de seu país por ideias políticas ou de origem racial. Estados Unidos, Grã-Bretanha e França mostraram-se contrários à política de imigração irrestrita. 

Porém seria injusto não citar o exemplo da República Dominicana, que se dispôs a receber cerca de 100.000 refugiados judeus. Exemplo seguido mais tarde pela Costa Rica.

                                            
United States delegate Myron Taylor delivers a speech at the Evian Conference on Jewish refugees from Nazi Germany. [LCID: 87868]
                    Myron Taylor, amigo pessoal do presidente Roosevelt, representou o governo americano




GRANDE FIASCO

O resultado da conferência ou a falta de, não poderia ter sido mais danoso aos judeus, ao mesmo tempo que, de uma certa forma, "validou" as políticas antissemitas perpetradas contra os judeus. 

Diante disso, Chaim Weizman, ativista sionista, que se tornaria o  primeiro presidente do Estado de Israel, disse: "O mundo parecia dividido em dois - os lugares onde os judeus não podiam viver e os lugares onde não podiam entrar".

Depois de Évian, Hitler praticamente ignorou os apelos internacionais e, atropelando as mínimas atitudes de humanidade, pôs em prática seu plano de Solução Final para o problema judaico, que culminou no extermínio de seis milhões de judeus.

E SE ...?


Em julho de 1979, o então vice-presidente dos Estados Unidos, Walter Mondale descreveu a esperança representada pela Conferência de Évian:

          "O que estava em discussão em Évian eram vidas humanas - e a decência e o 
          respeito próprio do mundo civilizado. Se cada nação tivesse concordado, em Évian,
          naquele dia em abrigar 17 mil judeus de uma vez, todos os judeus do Reich poderiam
          ter sido salvos. Como um observador americano descreveu: 'É de partir o coração
          pensar em todos os ... seres humanos desesperados ... esperando aflitos o que iria
          acontecer em Évian. Mas a questão que eles destacam é simplesmente humanitária
          ... é um teste civilizatório.'"

Por fim, concluo este post com o célebre pensamento do grande Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e prêmio Nobel da Paz de 1986:

         "O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença.
           O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença.
           O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença.
           E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença."

Fica a reflexão!

Até a próxima!
Qualquer dúvida, entre em contato comigo, pelo email
miriam.i.benzecry@gmail.com

FONTES:

https://www.lasegundaguerra.com/viewtopic.php?t=12305
https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/film/evian-conference-fails-to-aid-refugees
GILBERT, Martin. O Holocausto. São Paulo: Editora Hucitec, 2010.



quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O ANTISSEMITISMO NA ALEMANHA NO PÓS-PRIMEIRA GUERRA E OS JUDEUS

A data de 11 de novembro de 2018 assinalou o aniversário do primeiro centenário do final da 1ª Guerra Mundial. Nenhuma guerra é justa, porém, e especialmente esta guerra abriu o caminho, gradativamente, os eventos que culminaram numa das maiores catástrofes sofridas pelo povo judeu: o Holocausto. 

Vamos aos fatos!




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                                   Soldados judeus comemorando a Festa de Chanuká


A derrota alemã marcada pela assinatura do Armistício de Compiègne, em 1918, na França, determinou o fim das hostilidades entre o país e as tropas aliadas e, no ano seguinte, a assinatura do Tratado de Versalhes, também na França, que, ratificando o acordo anterior, deixou a Alemanha num caos econômico e social.

Basicamente, o Tratado de Versalhes impunha à Alemanha as seguintes condições:

1. A redução drástica de seu exército.
2. A devolução de parte de seu território a países fronteiriços.
3. O reconhecimento da independência da Áustria.
4. O pagamento de pesadas multas aos países vencedores da guerra.

As condições desfavoráveis deste Tratado à Alemanha, foi classificado pelos alemães de diktat, uma imposição, e fizeram brotar na população um sentimento de injustiça e humilhação.

Alheios à contribuição dos judeus nos fronts de guerra e ao engajamento dos mesmos na reconstrução do país, os alemães acusaram os judeus pelos males da guerra e do pós-guerra. Circulava na sociedade a "lenda da punhalada pelas costas", um mito criado no final da 1ª Guerra para "justificar" a derrota e o fiasco alemão. Segundo versava a lenda, o exército alemão permaneceu invicto no campo de batalha, até ser "apunhalado pelas costas por oposicionistas apátridas" - os judeus.

A propaganda maldosa surtiu efeito e sentimentos antissemitas se revelaram na prática. 

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Charge antissemita do mito da "punhalada pelas costas"

A política foi profundamente afetada pelo sentimento antijudaico, que imperava na época, o que fomentou o aparecimento de partidos radicais antissemitas, entre eles, o Partido Socialista dos Trabalhadores Alemães, o NSDAP, que, posteriormente, foi chamado de Názi, de Nazional, em referência às duas primeiras sílabas da primeira palavra da sigla.

Em linhas gerais, o Partido Názi (ista) preconizava o resgate das fronteiras perdidas na guerra e o ideal da Grande Alemanha. Ele excluía, terminantemente, os judeus como cidadãos do país. Já em 1920, uma das plataformas do Partido pregava que "ninguém que não seja membro da nação pode ser cidadão do Estado" - esse "ninguém" incluía sobretudo os judeus. 

O referido Partido, que nos primórdios era "nanico", registrou um rápido crescimento, com a adesão de novos correligionários. O austríaco Adolf Hitler, sétimo na hierarquia, começou a se destacar com seus inflamados discursos de pureza racial e de salvação da Alemanha. Hitler conclamou o povo a se livrar da ameaça judaica e propôs uma solução final para o que ele chamava de "problema judaico", na Alemanha: "Antissemitas do mundo, uni-vos! Povos da Europa, libertem-se!". Hitler propôs a remoção dos judeus da Alemanha.

Em 1921, Hitler formou um exército civil dentro do Partido, os SA (Sturmabteilung), com o objetivo claro de perseguir e reprimir todos aqueles que fossem contrários à ideologia do Partido. Os SA ficaram conhecidos como os "camisa marrom", em alusão à cor marrom do uniforme. Eles agiam como uma espécie de tropa de choque do Partido Nazista.

Nessa época, a suástica começou a ser usada como símbolo do Partido.

Os ataque antissemitas não cessaram!

Em 1922, o Ministro de Relações Exteriores alemão, Walther Rathenau, foi assassinado. Ele, que era judeu e militante do Partido Democrático, havia negociado um acordo com a União Soviética, era odiado pela extrema-direita. O assassinato de Rathenau foi muito bem recebido pelo partido de Hitler. Nas ruas, vozes conclamavam a derrubada do político "o sujo desgraçado lixo judeu". E foi isso que aconteceu.

Em 12 de novembro de 1923, numa tentativa frustrada de golpe Estado de Estado, liderada por Adolf Hitler. O líder foi preso, julgado e condenado. Em 1925, publicou o livro Mein Kampf - Minha Luta, onde, claramente , atacava os judeus, acusando-os, junto aos marxistas, de serem uma influência perigosa ao povo alemão. Hitler defendia a qualidade e a pureza do sangue ariano.

A juventude Hitlerista foi criada em 1926. O antissemitismo na Alemanha não foi feito por um único homem, mas, com o apoio ativo de seu povo, como vemos nos filmes históricos da época.

Já em 1930, o partido Nazista pulou de 12 para 107 cadeiras no Parlamento. Esse crescimento só validou as políticas anti-judaicas e os ataques antissemitas.

Nas eleições de 1932, o Partido passou a ter 230 cadeiras.


ATÉ O HOLOCAUSTO


Quando Adolf Hitler foi nomeado chanceler alemão, em 1933, sedimentando práticas antissemitas, a vida dos judeus virou um verdadeiro "inferno". O campo de concentração de Dachau foi construído e a Gestapo, a polícia secreta, foi instituída, sendo responsável pela perseguição, tortura e morte de todos os oponentes da ideologia nazista.

Os judeus tiveram muitos de seus direitos básicos cerceados. Em 1934, Hitler assumiu definitivamente o poder e se autoproclama Fuhrer e Reichskanzler (chefe e chanceler do Reich). Em 1935 outorgou as Leis de Nuremberg e, com elas, a definição de quem é considerado judeu - aquele que tivesse, na sua ascendência, três avós judeus. Himmler, o arquiteto da Solução Final, assumiu a chefia da polícia política alemã. Para mortes em grande escala, novos campos de concentração foram construídos.

Em 1938, início da 2ª Guerra Mundial, Hitler pôs em prática a política de extermínio dos judeus.

Até aqui!

CHEGANDO NOS "FINALMENTES"


Outro dia, li um post sobre a participação dos judeus na 1ª Guerra, que me levou a uma profunda reflexão. A publicação enfatizava que milhares de soldados judeus alemães, com certeza, lutaram (e mataram) soldados judeus franceses, e vice-versa. Estavam em lados opostos, eram patriotas defendendo seus países.  Como bem escreveu Martin Gilbert, na obra Holocausto: "... judeus serviram em todos os exércitos: e em trincheiras opostas e de ambos os lados do arame farpado". Outros tantos foram condecorados por atos de bravura.

Apenas 20 anos depois, já na 2ª Guerra, os judeus encontraram-se do mesmo lado, nos campos de concentração. 

Deixo as conclusões para vocês!

Espero que tenham gostado.
Até a próxima!!!

Qualquer dúvida ou comentário entre em contato comigo
miriam.i.benzecry@gmail.com



FONTES:

https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/antisemitism-in-history-world-war-i
GILBERT, Martin. O Holocausto. São Paulo: Editora Hucitec, 2010.